quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os ecos tornam-se amor

Enfim, uma viravolta, Kehre, no caminho: os ecos do cotidiano ressoaram de forma tal que, de ecos passaram a palavras; de palavras, a reconhecimento; de reconhecimento, a afeição; e no fim de tudo, amor. Amor pela língua, única forma de amor possível; amor pelas palavras - não é isso que compõe, sangue do mesmo sangue, o amor entre duas pessoas? Amar um outro é amar suas palavras, o tom de sua voz, o timbre de sua fala - é à língua que dirigimos nosso amor, ainda que encarnada numa pessoa amada.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Haiku - Primavera

Céu revestido de nuvens - 
Escapa do bule de chá
O véu que cobre o luar

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Haiku sem número - Outono

A noite cai - 
Uma gota de suor
Também cai no chão

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Haiku sem número - Verão

Na noite escaldante,
O zumbido dos mosquitos
Tira-me o sono

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Haiku 24 - Inverno

Sopra o vento frio
Flocos de neve no ar -
Gotas sobre a mão

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Haiku 23 - Inverno

Sob o sol poente
Minha sombra chega primeiro
Quando subo o morro

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Haiku 22 - Inverno

Numa noite clara
Estrelas se movimentam
Voam vaga-lumes

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Haiku 21 - Inverno

À sombra da vela
O vazio fica maior -
Fruteira sem nada

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Haiku 20 - Inverno

Casca suculenta
Mas os gomos quase secos -
Tangerina lá de casa

Haiku 19 - Inverno

Dia nublado
As nuvens abraçadas
Ao cume da montanha